Mitos sobre a criatividade

In Artigo, Vídeo by Mafalda CorreiaLeave a Comment

Apesar de ser cada vez mais importante no contexto empresarial, a criatividade é ainda terreno fértil para mitos e crenças.

Como são poucos os que conseguem aplicá-la com regularidade no seu trabalho, não falta quem acredite que a criatividade é algo que vem inscrito nos genes de uns quantos sortudos, coisa de génios ou uma inspiração repentina vinda do além. Mas parece que não é bem assim.

the myths of creativityDavid Burkus, autor do livro The Myths of Creativity e estudioso da matéria, defende que, com a formação adequada, qualquer pessoa é capaz de ter ideias criativas e de as aplicar em projetos e processos empresariais inovadores.

A investigação que realizou ajuda a desmistificar as forças e os processos que conduzem à inovação e confirma que os mitos da criatividade não passam disso mesmo, de mitos. Para quem tiver tempo, vale a pena conhecer a abordagem prática de Burkus, apresentada nesta Google talk de 50 minutos.

Burkus explora os mitos e preconceitos que impedem a criatividade de fluir e mostra-nos como qualquer um pode gerar boas ideias.

Mitos há muitos

Os mitos são histórias que nós inventamos para explicar coisas para as quais não encontramos explicação. Eis alguns dos mitos sobre a criatividade elencados por Burkus:

  1. O mito eureka diz respeito às ideias que aparentemente surgem como um flash de lucidez. A investigação mostra que essas ideias são, na verdade, o resultado da incubação de trabalho anterior sobre o problema.
  2. O mito da raça defende que a capacidade criativa é uma herança genética que bafeja apenas alguns. Mas as evidências provam o contrário: são as pessoas mais autoconfiantes e que mais trabalham sobre o problema que têm maior probabilidade de chegar a uma solução criativa.
  3. O mito da originalidade está relacionado com a crença de que as ideias criativas são concebidas a partir do nada. Mas a história e investigação mostram que a maior parte das novas ideias são combinações originais de ideias existentes.
  4. O mito do especialista faz depender a geração de ideias de um profundo conhecimento técnico. Embora o conhecimento seja útil, os problemas particularmente difíceis muitas vezes exigem a perspetiva de um estranho ou de alguém que não esteja condicionado pelo conhecimento que tem do que pode ou não ser feito.
  5. O mito do incentivo argumenta que maiores incentivos, monetários ou não, aumentam a motivação e, consequentemente, estimulam a produção de inovação. Os incentivos podem ajudar, mas muitas vezes eles fazem mais mal do que bem, dado que as pessoas se adaptam rapidamente ao sistema e tendem a usá-lo em seu benefício.
  6. O mito do criador solitário reflete a nossa tendência para reescrever a história e atribuir as grandes invenções e as obras criativas marcantes a uma única pessoa, ignorando o trabalho de apoio de outros e todos os esforços preliminares de colaboração. Na maior parte dos casos, a criatividade é um trabalho de equipa.
  7. O mito da ratoeira, baseado numa metáfora americana sobre o poder da inovação, refere-se à crença de que é fácil implementar uma boa ideia. Mas, a verdade é que as boas ideias são muitas vezes rejeitadas, porque todos nós temos dificuldade em ver logo a sua utilidade. Aconteceu com o PC, com as câmaras digitais e com muitos equipamentos que foram inicialmente rejeitados e hoje fazem parte do nosso dia a dia. Uma boa ideia tem de ser trabalhada e defendida até a sociedade estar pronta para a reconhecer.
Como produzir ideias criativas

Teresa Amabile, professora na Harvard Business School, defende que a criatividade individual e das equipas é o ponto de partida para a inovação e identifica os quatro fatores indispensáveis para fomentar a criatividade: conhecimento relevante sobre o tema, uma metodologia para desenvolver a criatividade, motivação e um ambiente estimulante e aberto a novas ideias.

Tem uma estratégia para ativar a inovação? Já viu se estes elementos estão presentes na sua empresa? E que tal olhar para as empresas mais inovadoras e tentar compreender como combinam elas estas condições? Partilhe connosco as suas ideias e opiniões sobre a criatividade nas empresas portuguesas.

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